Em vigor em quase todos os países, medidas de contenção ao coronavírus promovem o aumento da participação de fontes renováveis ​​na geração de energia elétrica.

As medidas de contenção à Covid-19 reduziram a demanda por eletricidade no mundo, levando a mudanças no cenário de geração da energia elétrica, com o protagonismo das fontes renováveis.

O aumento do consumo residencial, frente à redução das atividades comerciais e industriais, não compensou a queda da demanda. Dados diários coletados pela Agência Internacional de Energia (IEA, sigla em inglês), em mais de 30 países, mostram que a demanda diminuiu em 20%, em média, nos meses em que os países adotaram restrições mais rigorosas de isolamento.

Com isso, no 1° trimestre de 2020, a parcela de energia renovável chegou a 28%, comparada a 26% no 1° trimestre de 2019, dado que a geração dessas fontes não está relacionada à demanda da eletricidade. O crescimento deu-se pelo aumento percentual de dois dígitos na energia eólica e no salto na produção solar fotovoltaica de projetos iniciados ainda no ano passado.

Em contrapartida ao aumento da geração de energia renovável, no mesmo período, caiu a demanda de quase todas as outras fontes de eletricidade, incluindo carvão, gás e nuclear.

No caso da geração nuclear, houve uma redução de 3%, em resposta à paralisação da operação de turbinas em algumas partes do mundo. Já o carvão viu perdas em todas as frentes.

Em alguns mercados, surgiram, pela primeira vez, oportunidades de troca de carvão para gás com base nos custos de combustível, levando a queda de 8% da geração a carvão no 1° trimestre de 2020 em relação ao 1° trimestre de 2019, segundo os dados da IEA.

Por quanto tempo isso dura?

Na projeção da Agência Internacional de Energia para 2020, a demanda global de eletricidade cairia 5%, com reduções de 10% em algumas regiões do mundo. Esse seria o maior declínio desde a Grande Depressão e seria oito vezes a redução sofrida em 2009 devido à crise financeira global.

A redução de 5% na demanda mundial por energia elétrica, chegando a 10% em algumas regiões, seria o maior declínio desde a depressão de 1929 e representaria 8x a redução ocorrida em 2009 devido à crise financeira.

Uma recuperação econômica mais rápida em forma de V reduziria pela metade o impacto na demanda de eletricidade, levando a menores quedas ano a ano do carvão, gás e energia nuclear.

Já com uma recuperação econômica mais lenta e com a ampliação da Covid-19 nos países em desenvolvimento, a redução da demanda pode ser ainda maior, ressaltando a possibilidade de uma segunda onda da pandemia no outono nas economias avançadas, que provocaria um declínio superior a 5%.

De qualquer maneira, a pandemia vem ilustrando a vulnerabilidade dos combustíveis fósseis quanto a problemas de armazenamento e de distribuição. Como exemplo, os preços do petróleo ficaram negativos pela primeira vez nos EUA no início deste mês.

Ao mesmo tempo, a crise do coronavírus sublinha a necessidade por energia elétrica confiável para suprir as necessidades diárias das residências e das empresas.

Para o diretor executivo da AIE, Fatih Birol, os governos têm a oportunidade de colocar tecnologias de energia limpa – renováveis, eficiência energética, baterias, hidrogênio e captura de carbono – no centro de seus planos de recuperação econômica.

“Investir nessas áreas pode criar empregos, tornar as economias mais competitivas e direcionar o mundo para um futuro de energia mais resiliente e mais limpa”, afirma Birol.